2016
não é 2026
I
Não sei por qual razão mas baixou uma trend ali no Instagram das pessoas não só compartilharem fotos, mas também depoimentos sobre o ano de 2016, ou seja, dez anos atrás. Lendo alguns me dei conta que realmente foi um ano babado pra muita gente e eu até posso explicar astrologicamente tudo isso. Como é o que eu sei fazer, vou fazer isso aqui e agora.
Do início de 2016 a setembro, Júpiter esteve em Virgem. E esse é um posicionamento que deixa o planeta Júpiter debilitado, o que a gente chama de exílio. O planeta responsável por fartura, abundância e bençãos fica muito detalhista e específico, então suas bençãos aparecem nas coisinhas e não mais nas coisonas. Fases que Júpiter está debilitado, em termos gerais, costumam ser períodos difíceis coletivamente, porque é como se deus - no caso ZEUS - estivesse meio de folga e a gente humanidade que se vire sem bençãos e presentes divinos. Como esquecer o último trânsito de Júpiter em Capricórnio, né? Simplesmente o ano de 2020, a pandemia. Também vivemos isso recentemente em 2024 e início de 2025, com Júpiter em Gêmeos (escrevi sobre aqui), que não foi exatamente um período horrendo, mas foi meio esquisito, né? Uma coisa meio nem lá, nem cá, não sei vocês, mas aqui minha vida mudou completamente e mudanças assim são loucurinhas.
Aí que 2016 foi um ano meio assim pra mim, mas pelo que li por aí pra mais pessoas também. O ano que não é como se a gente não tivesse tido ganhos, bençãos e alguns presentes, mas eles eram pistas, pedacinhos ou, como já escrevi por aí, caquinhos. Aguardo o trânsito de Júpiter em Virgem pra eventualmente postar um textinho que escrevi sobre esse posicionamento há dez anos atrás, mas recordo por hora essa imagem dos cacos:
Nascer com a sorte em pequenos cacos espalhados. Há cacos em toda parte, debaixo da mesa, entre o buraco do piso de taco, bem lá no meio da sala, são cacos…alguns grandes e evidentes, outros que precisam ser puxados com a vassoura e mais alguns que são encontrados após muito tempo. Algumas sortes machucam, cortam a mão, isso por ter muita sede ao procurá-las.
Não quer dizer que não há bonança, apenas que ela está espalhada em pequenos pedaços pela vida. O que pode ser caótico. O espalhamento, a falta de objetividade e o controle sob todas as partes pode arruinar a perseverança e se tornar obsessão. Quando eventos magníficos acontecem, agarramos como se fosse a única e última oportunidade, e se dá valor demais ao que oferece tão pouco. E ao cair em caminhos tortuosos, há tanta frustração que, muitas vezes, nem olhamos que o mal acontece para nos levar ao caminho do caco que voou pra debaixo da estante.
II
2016 foi, por muito tempo, o que eu nomeei o pior ano da minha vida. Tenho lembranças muito ruins, eventos tensos, até agressão lesbofóbica eu sofri na rua, então o saldo foi uma melancolia muito grande, e eu lembro de um emocional muito abalado. Ao mesmo tempo também lembro de uma insistência em algo que estava ali só nascendo, tinha uma pontinha ou, como escrevi, um caquinho debaixo de uma mesa escondida: a Astrologia.
Eu já estudava Astrologia desde 2015, mas o primeiro ano real oficial que comecei a atender mapas foi 2016. E como já contei em outras oportunidades, a Astrologia não foi uma escolha consciente de trabalho, ela simplesmente aconteceu. Eu comecei a escrever sobre pra, de alguma forma, organizar o que eu estava estudando e entendendo a respeito e publicava no Facebook. Aí apareceu gente querendo ler mapa, eu recusava, mas aparecia mais, aí resolvi aceitar. E veio outra pessoa e outra, outra, outra, outra…Quando ver aquela parada estava me sustentando. Curiosamente (curiosamente? rsrsrs), em 2016 fui mandada embora do último trabalho mais estável que tinha. De resto vivi de trampos temporários, estágios e até rolou uma carteira assinada lá pelas tantas anos depois, mas não passou de dois meses. E a Astrologia decolando.
Eu não sabia o que aquilo ia ser. Eu tinha 24 anos também, não dava pra esperar muita sabedoria e maturidade, mas eu peguei aquele caquinho e insisti apenas seguindo meu coração. Sabe seguir o coração? Você só faz, não sabe porque faz, mas continua fazendo. Eu ainda queria trabalhar com artes ou ser uma acadêmica, fazer pesquisa, ser reconhecida intelectualmente, inclusive demorei anos da minha vida pra me assumir astróloga com a maior paz do mundo. Hoje eu falo que sou astróloga com a maior paz do mundo. Sou astróloga há dez anos. Porque eu escolhi seguir um caminho me guiando pelas oportunidades que se abriam e não necessariamente insistindo no que eu tinha como projeto na minha vida. Aliás, eu fui fazendo as duas coisas. Isso é um mal de planeta exilado também (Júpiter em Virgem além de tudo é regente do meu ascendente e está na casa 10, que fala da vida pública e trabalho): a gente que é exilinho nunca segue um caminho óbvio, linear, perfeitinho. Quase sempre a gente se frustra, se decepciona, contorna, tenta de novo, falha uma vez, falha de novo, falha melhor.
III
Bom, se você leu até aqui meu depoimento sobre meu caso de amor com a Astrologia então sim, 2026 é o ano que faz dez anos que eu leio mapas e atendo pessoas. E aí que eu inventei que faria algo com isso porque no fim das contas eu sou a artista que faz tudo e acho que eu tenho algumas coisas pra repassar, compartilhar, dizer e quem sabe ajudar, inspirar e pensar com mais pessoas que tem interesse no assunto.
Dez anos de Astrologia tem muita coisa, desde experiências teóricas, filosóficas, como também exemplos práticos, situações engraçadas, encontros com pessoas peculiares, mapas incríveis, previsões bizarras e tanta, tanta e tanta gente.
Então esse ano eu vou comemorar esses dez anos promovendo uma série de compartilhamentos sobre temáticas específicas e, se tudo der certo e espero que dê, oferecer minicursos e encontros online para os assinantes pagos aqui da newsletter.
Tudo isso que estou contando é um pré-aviso, porque tudinho mesmo eu conto ao longo do mês que vem pra gente iniciar tudo isso em março!
Acho que é uma forma de fazer a Astrologia continuar fazendo sentido na vida minha vida. Afinal, depois de dez anos a gente fica meio cansada às vezes, né? E obviamente que meus olhos não brilham da mesma forma, mas ainda brilham, e brilham mais ainda quando tenho oportunidade de trocar com quem tá chegando.
Então é isso minha gente, VEM AÍ, só não veio ainda porque o ano só começa depois do carnaval e depois do carnaval tem meu aniversário - dia 28 de fevereiro, quem vai mandar presente??? -, e aí sim vamos aos trabalhos.
Porque 2026 não é 2016: hoje no céu temos um Júpiter exaltado em Câncer, próspero, abundante, rechonchudo, e prosperidade tem tudo a ver com compartilhamento. :) Só é próspero aquele que sabe multiplicar!
E, repetindo como repito todas as vezes, eu não escreveria essa newsletter sem os apoiadores. Nenhum trabalho artístico e intelectual se sustenta só na vontade, então o apoio financeiro é fundamental mesmo. E quem quiser fazer parte desse bonde, apoia clicando no botão abaixo.
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beijo, até a próxima!
Bárbara.




Oiê. Comecei a seguir você por aqui. 2016 também foi um ano bem difícil, mas é engraçado que nesses tombos a gente escreve umas coisas legais sobre a gente né. Continue sua escrita é bem boa!
🩶